
por David Luan
Durante meses, foram apenas palavras, silêncios e uma distância alimentada pelo desejo de um encontro que parecia impossível. Até que, numa noite de chuva, finalmente ficam frente a frente. O que começa num olhar transforma-se rapidamente no reconhecimento de algo que ambos já sentiam antes de se tocarem: uma ligação demasiado intensa para caber na razão. Entre confissões, medo e desejo, descobrem que há encontros que não começam no corpo — começam muito antes, na imaginação, na espera e na certeza inexplicável de que alguém já nos habita. Na intimidade daquele quarto, a distância deixa de existir e tudo aquilo que foi reprimido durante meses encontra finalmente espaço para acontecer. Porque há desejos que não nascem da pele. Nascem da fome de ser visto, compreendido e desejado por alguém que, de alguma forma, já nos conhecia antes do primeiro toque.
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