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Dados sobre a Literatura Erótica em Portugal
Literatura Erótica
7 min de leitura

Dados sobre a Literatura Erótica em Portugal

Descobre os dados sobre literatura erótica em Portugal, números de vendas e hábitos de leitura que revelam um público maior do que muitos imaginam.

13 de agosto de 20261 visualizações

Fala-se frequentemente de Portugal como um país onde se lê pouco. Fala-se muito menos sobre literatura erótica em Portugal.

E, quando o tema surge, é fácil imaginar que se trata de um género de nicho, consumido por um grupo relativamente pequeno de leitores.

Os números disponíveis contam uma história mais interessante.

Embora não exista um estudo nacional recente dedicado exclusivamente ao número de portugueses que lê literatura erótica, os dados de vendas mostram que este género já conseguiu mobilizar centenas de milhares de compras em Portugal. Um dos exemplos mais claros é As Cinquenta Sombras de Grey, que chegou a ser o livro mais vendido do ano no país.

 

A literatura erótica é mais popular do que parece?

Existe uma diferença importante entre visibilidade social e consumo real.

Uma pessoa pode falar abertamente sobre o policial que está a ler, o último romance histórico que comprou ou uma biografia que recebeu no Natal. A literatura erótica, pela natureza íntima do género, não beneficia necessariamente da mesma exposição.

Isso torna os números de vendas particularmente interessantes.

Em 2012, E. L. James tornou-se a autora que mais vendeu livros em Portugal naquele ano. Segundo números divulgados pela editora Lua de Papel, a trilogia As Cinquenta Sombras tinha vendido cerca de 250 mil exemplares em Portugal até dezembro desse ano.

Não estamos, portanto, perante algumas centenas ou poucos milhares de exemplares.

Estamos perante centenas de milhares.

 

O fenómeno que vendeu centenas de milhares de livros eróticos

O sucesso não desapareceu depois do impacto inicial.

Em setembro de 2015, o Correio da Manhã noticiava, citando o editor da Lua de Papel, que os quatro romances eróticos de E. L. James publicados até então tinham atingido aproximadamente 620 mil exemplares vendidos em Portugal.

É um número particularmente expressivo tendo em conta a dimensão do mercado português.

Naturalmente, 620 mil livros vendidos não significam 620 mil leitores diferentes. Uma mesma pessoa pode ter comprado vários volumes da coleção e alguns exemplares podem ter sido oferecidos.

Ainda assim, o dado demonstra algo difícil de ignorar: houve procura em grande escala por literatura erótica no mercado português.

E o fenómeno não ficou limitado ao primeiro livro.

 

Um livro por minuto em Portugal

Talvez um dos dados mais surpreendentes seja a velocidade a que os livros chegaram às mãos dos leitores.

Em dezembro de 2012, a editora afirmava que E. L. James estava a vender, em média, um livro por minuto em Portugal desde o lançamento português de As Cinquenta Sombras de Grey, ocorrido a 9 de julho daquele ano.

Na mesma altura, o primeiro volume tinha atingido 120 mil exemplares, distribuídos por 13 edições. O segundo contabilizava cerca de 70 mil exemplares e o terceiro aproximadamente 60 mil.

Anos depois, o lançamento de Grey, que recontava a história pela perspetiva de Christian Grey, voltou a demonstrar a existência desse público.

Só no fim de semana de lançamento, o livro vendeu 13 mil exemplares em Portugal e alcançou o primeiro lugar nos tops de vendas das livrarias nacionais, segundo dados divulgados na época.

Para um género frequentemente tratado como secundário ou de nicho, são números relevantes.

 

Porque é difícil saber quantos portugueses leem literatura erótica?

Aqui está uma distinção fundamental: sabemos bastante mais sobre vendas do que sobre leitores de literatura erótica.

Os grandes estudos portugueses sobre hábitos de leitura tendem a medir questões como frequência de leitura, quantidade de livros, utilização de bibliotecas ou relação com a leitura. Não oferecem uma contagem nacional atualizada especificamente dedicada ao erotismo literário.

Por isso, seria incorreto afirmar, por exemplo, que “X% dos portugueses lê livros eróticos” sem uma fonte sólida que o demonstre.

O que podemos afirmar é que determinados títulos do género atingiram volumes de vendas extraordinariamente elevados.

Há ainda outro problema de medição: comprar livros e ler livros não são exatamente a mesma coisa.

Um exemplar pode circular entre várias pessoas; um leitor pode comprar vários livros; e existe ainda a leitura digital.

 

O digital tornou a leitura mais discreta

A transformação digital acrescentou uma nova dimensão ao consumo de literatura.

Um romance erótico num e-reader ou numa aplicação não tem capa visível no metro, no comboio, no avião ou no sofá de casa.

Essa privacidade pode ser particularmente relevante num género associado à intimidade.

Além disso, atualmente a categoria comercial é muito mais ampla do que um único fenómeno editorial. Grandes livrarias portuguesas mantêm secções dedicadas a literatura romântica e erótica, reunindo numerosos títulos e autores.

Isto sugere que o erotismo não desapareceu depois do auge de As Cinquenta Sombras.

Passou a integrar de forma mais normalizada o mercado do romance comercial, ao lado de múltiplos subgéneros e formatos.

 

Os números que desafiam a ideia de que “ninguém lê isto”

Se quisermos resumir os dados mais surpreendentes, basta olhar para a dimensão alcançada por um único fenómeno editorial em Portugal:

  • Cerca de 250 mil exemplares da trilogia vendidos ainda em 2012;

  • Aproximadamente 120 mil exemplares do primeiro volume nesse período;

  • Uma média anunciada de um livro vendido por minuto durante vários meses;

  • Cerca de 620 mil exemplares dos quatro romances de E. L. James vendidos em Portugal até 2015;

  • E 13 mil exemplares de Grey vendidos apenas no seu fim de semana de lançamento.

Estes números não permitem calcular exatamente quantas pessoas leem literatura erótica em Portugal.

Permitem, porém, desmontar a ideia de que se trata necessariamente de um consumo residual.

 

Perguntas frequentes sobre literatura erótica em Portugal

Quantas pessoas leem literatura erótica em Portugal?

Não existe uma estatística nacional recente e suficientemente abrangente que permita indicar um número exato de leitores.

Existem, contudo, dados de vendas que demonstram uma procura significativa por determinados títulos do género.

Qual foi o impacto de As Cinquenta Sombras de Grey em Portugal?

Foi enorme. O primeiro volume tornou-se o livro mais vendido em Portugal em 2012, segundo dados da GfK citados pela editora, e a série acumulou centenas de milhares de exemplares vendidos no mercado português.

É verdade que se chegou a vender um livro por minuto?

Sim. Em dezembro de 2012, a editora portuguesa de E. L. James afirmava que a autora vendia, em média, um livro por minuto no país desde 9 de julho daquele ano.

A literatura erótica é apenas um nicho?

Os dados aconselham alguma cautela nessa classificação. Alguns títulos podem ter vendas pequenas, mas o género já produziu fenómenos comerciais de grande dimensão em Portugal.

Os portugueses continuam a comprar livros eróticos?

Existem atualmente títulos de romance e literatura erótica disponíveis nas grandes cadeias livreiras portuguesas.

No entanto, faltam dados públicos recentes que isolem as vendas de todo o género e permitam compará-las diretamente com as de outros géneros.

Ler romance erótico significa ler apenas cenas de sexo?

Não. A categoria pode incluir romance, desenvolvimento de personagens, relações, desejo, intimidade e diferentes graus de conteúdo sexual. As fronteiras entre romance contemporâneo, romance erótico e outros subgéneros também podem variar de editora para editora.

 

Conclusão: a literatura erótica em Portugal é menos invisível nos números

Os dados sobre literatura erótica em Portugal revelam sobretudo um contraste curioso: é um género sobre o qual existe relativamente pouca informação estatística específica, mas que já demonstrou uma enorme capacidade comercial.

Quando quatro romances de uma autora conseguem acumular cerca de 620 mil exemplares vendidos num país da dimensão de Portugal, torna-se difícil defender que não existe público.

Talvez a característica mais interessante da literatura erótica portuguesa não seja, portanto, a ausência de leitores.

Pode ser precisamente o contrário: há leitores — simplesmente nem sempre sabemos quem são.

 

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