Não devia ter ido ao guarda-fatos. Não devia, mas ela tinha saído com as amigas e eu precisava de consultar um documento (a minha mãe tem um dossier onde guarda essas coisas da casa).
Encontrei uma caixa estranha e não consegui evitar, abri-a. Lá dentro tinha um vibrador rosa, pequeno, quase fofinho, como aqueles que se vêem em anúncios do Instagram. Depois vi os outros: um maior, preto, com uma forma que nem queria imaginar; uns berlindes prateados que, quando peguei neles, percebi que eram pesados, frios; e uma coisa que parecia um colar, mas com umas bolas presas a uma corrente.
E foi então que reparei na caixa de preservativos, aberta, com dois ou três faltarem e num frasco de lubrificante quase vazio, com o rótulo desbotado.
Fiquei parada, com o vibrador rosa na mão, a sentir-me como se tivesse apanhado a minha mãe a trair o meu pai. Fechei a caixa apressadamente, como se ela fosse explodir.
